Pequenes! A história que divido com vocês hoje encerra os acontecimentos desse que foi um ano que valeu por uma era na minha vida luxuriante. Recomendo bastante atenção aos fatos para os leitores mais assíduos pois muitas outras citações virão à tona em suas memórias...
Era junho de 1988. Eu acabara de ser coroada Miss Sedução. Não adianta lançar no google ou altavista pois nenhuma referência concisa será encontrada sobre esse tipo de titulação. Nem gala gay virá associado. Porque não é um evento comum (alô deise nunes! você sabe muito bem do que estou falando né danadinha! saudades bruáca!), na verdade, não creio que seja um evento. Mas não há uma só Miss que não se curve diante de uma "condessa" (como somos conhecidas, nós, as poucas mulhe... digo, pessoas, no mundo que puderam, por sorte ou azar, reconhecimento certamente, receber tal insígnia, tal nosso prestígio, poder e relevância nos bastidores de qualquer coisa que você, pequena, pequeno, e pequene, pode imaginar.
É preciso abrir uma brecha para que se fale mais sobre. É claro que, os mais ávidos já devem ter percebido, não poderei revelar as condições em que se realiza formalmente esse coroamento, mas posso dizer que ele acontece. Sim, uma cerimônia. Mas isso passou à acontecer por vontade de Charles Worth (26ª condessa), bixa afetadíssima (qualquer livréco de moda mostra uma foto do pai do que foi a alta costura [porque hoje é outra coisa], e vocês de pronto concordarão comigo sobre a pose suspeita dessa miss), por volta de 1790, mas antes não era assim. E quando falo antes, me refiro à mais ou menos 2100 anos atrás, quando a primeira miss sedução (logicamente ainda não existia esse nome...), Berenice IV, criou um clã nos bastidores do Alto Egito, da Palestina e em Roma, que teria como função deixar cartas marcadas para ajudar a decidir os caminhos do mundo através da melhor negociata que se conhece: o sexo. Esse clã só se tornou real com o nascimento da sua filha, segunda miss sedução (e talvez a mais influente até hoje depois de Marya de Nazaré), cujo nome vocês conhecem por Cleópatra, mas de sobrenome VII Philopátor (agora dá pra jogar no google). Alô Betina, minha querida e eterna miss sedução, Elisabeth Taylor! Saudades querida! Desde aquela sua briguinha com a Minelli que você não me dá notícias!
Bem, houveram dissenções desse clã. Um deles veio a se tornar a massonaria por exemplo, mas esses eram muito púdicos, e uma das consequências foi a exclusão das mulheres de suas reuniões. Uma nova Roma é o que aquelas bixas pretendiam! Mas ledo engano. Nunca precisamos de reuniões ritualísticas para fazer valer nosso poder. LOOOSERS! HA HA HA!
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Ascendi ao trono neste ano por alguns fatos notáveis que consegui produzir (algumas de minhas criaturas vocês já conhecem), mas outros nem sempre saíram como eu previ (como vocês também já sabem). Algumas de nossas criaturas simplesmente produzem efeito contrário à causa, maaaaaas, como na semana de arte de 1922, a "vaia sempre é o maior aplauso".
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E sim, beleza é fundamental também nesse "título". Salvo raras excessões como no caso de Worth, entretando, qual foi seu papel? Dar cumprimento à nosso maior presságio: a Moda.
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Em junho de 1988, morreu Abelardo Barbosa, meu querido Chacrinha. Mas era preciso que ele morresse. Desculpe a frieza, mas aquelas chacretes precisavam voar com o vento e ajudar a disseminar nossas teias. Cadilac poderia ter me tirado o título se não fosse tão vulgar. Mas já não era páreo para mim desde 1970. Uma pena.
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Eu me encontrava em Salvador, após a falência da Ouro Verde, procurando um comprador para a mansão. Até porque, da fazenda, eu já tinha me livrado. Estava no pelourinho, admirando as construções da época do descobrimento e escutei uma menina cantando em um bar próximo. Senti algo que não sei explicar, as sabia que estava diante de algo forte. Meus mamylos doíam. E quando eles doem, é porque está na hora de entrar em ação.
A menina, meio bolachona, estava lá, cantando naquele microfone, devia ter 18 anos. Usava um uniforme de vichy, um pouco surradinho, sujo de molho. Cantava alguma coisa de Elis Regina, falso brilhante talvez. Fiquei excitada. Elis é uma longa história para outro dia. Meus malylos viraram rochas. A menina terminou a cantoria, e quando saía do bar me interpelou com um sorriso: "ooochy, vai uma quentinha aí dona?"
(Óbvio que sim queridinha... hé hé hé)
Da minha cama "quentinha" em um hotel próximo saíram duas das maiores tragédias que o Brasyl já produziu: Ivete Maria Dias de Sangalo, e Cláudia Leite. Que devia ter uns 12 ou 13 anos, e se juntou a nós porque Dinorá Tempestade havia lhe mandado ao meu hotel por intermédio de um cafetão que mantinha contato conosco em Salvador.
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Eu estava carente. Não sabia no que isso tudo ia dar. A morena até cantava direitinho! A loura veio comigo para o Ryo de Janeiro e ficou na Vila Mymosa cerca de um mês. Mandei ela embora porque houve um surto de aids no bairro e a desgraçada se rebelou contra mim dizendo que me denunciaria por "obrigá-la à beber coalhada"! Não vou nem comentar. Fico exaltada.
Ivete, mais ordynaria que a loura, ficou com um de meus cafetões, que tinha um bloco de sucesso no carnaval, o Eva, e por volta de 1992, me deixou definitivamente. SIM! TIVEMOS UM ROMANCE!
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Dinorá não deixou barato. Minha grande amyga Dinorá. O castigo demorou mas aconteceu. Hoje Sangalo vive um romance secreto com a Xuxa, mas vive sendo chantageada pela Leite, que já engrossou aquele caldo em muitas noites numa certa Casa Rosa, em SP.
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As pessoas pensam que Marlene Matos (Dinorá Tempestade), é carta fora do baralho. Leeeedo engano... Um eterno coringa. Sabe muito bem cada passo que dá.
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Disse tudo isso para lembrá-los de uma coisa meus pequenes: cuidado sempre! Tudo que sobe, um dia TEM que descer.
Mas se forem astutas como sua madrinha aqui, saberão sempre se manter no trono, pois "quem nasceu para rabanete jamais será moranguinho!" (Alô Cláudia Leite! Ainda te pego na esquina!)
A foto abaixo do título é um aviso para as "putinhas da bahia". Madame Des'ree, tudo sabe, tudo vê. E se vê, registra, guarda, e aguarda.... E como diria uma certa amiga dos tempos de colegial, PERDEEEEU NEGONA!
Beijinhos sweeters...
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